Breve Relato Pessoal do Processo Terapêutico na Terapia Cognitiva

Algumas pessoas ainda pensam que o processo psicoterápico ou “terapia”, nome mais conhecido é somente uma conversa entre o terapeuta e seu cliente. A relação que fazem deste contexto é de que a conversa é a mesma que um amigo, pai, vizinho, colega, etc. Esta afirmação não é verdadeira, um bom psicólogo tem sua formação e qualificação que levam muitos anos, passando pela graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, isso não necessariamente nesta ordem, a maioria dos profissionais não querem seguir no ensino, optando somente pela especialização e não tem a intenção do mestrado e doutorado. Mesmo nos casos de formação e especialização o profissional deve sempre buscar conhecer sempre melhorar seu conhecimento. Quem trabalha com saúde nunca irá deixar de estudar.

Quem afirma que a terapia é só uma conversa, desconhece o verdadeiro objetivo dessa ciência. A Psicologia é uma ciência muito importante e mesmo nova (tempo) se compararmos a medicina, já mostrou quanto é importante para nossa sociedade. Suas várias abordagens e maneira de lidar com o ser humano, cada uma trabalhando com um único objetivo, o ser humano, exemplos: Gestalt, Centrada na Pessoa, Análise do Comportamento, Cognitivo-Comportamental, etc., hoje existem muitas abordagens, cada uma tentando da sua forma ajudar seres humanos. Não irei falar aqui sobre todas as abordagens e sim na minha especialidade clínica que é a terapia cognitivo-comportamental.

A minha especialidade é a abordagem cognitivo-comportamental, comportamental é utilizado como um termo genérico. Eu, como terapeuta cognitivo acredito que a maneira como pensamos influencia como nos sentimos e nos comportamos. Não reparamos o quanto os pensamentos mudam nossa forma de sentir e de se comportar no nosso dia a dia. Esse pressuposto carrego para minha vida e não deixo somente para o consultório, acredito que a maneira como pensamos influencia como nos sentimos e nos comportamos, um exemplo disso acontece se fizermos uma prova, quando recebemos a nota, observamos que não foi aquela esperada. Se eu pensar “sou burro, sou incompetente.”, muito provavelmente irei ficar triste, ansioso, preocupado e não conseguirei estudar, vou chorar, ficar calado, esquecer o que aprendi. Agora, se nesse mesmo exemplo, eu observar a nota e pensar: “vou estudar mais, procurar alguém que me ensine.” possivelmente não irei me sentir triste, ansioso ou preocupado e terei um comportamento mais ativo, muito diferente do primeiro. Em muitas ocasiões não conseguimos pensar de maneira mais funcional, racional. Agimos de acordo com o que sentimos, somos treinados a observar os sentimentos, e aprendemos também a nos comportar de acordo com ele.

Se as pessoas soubessem o bem que fazer terapia faz não deixariam de procurar um profissional. Escuto muito no consultório e fora dele “quem procura psicólogo é maluco”. O que costumo argumentar nestes casos é que se as pessoas soubessem o bem que o processo de psicoterapia pode fazer por elas, todas iriam procurar um profissional e que a maioria das pessoas que fazem terapia não tem nenhum diagnóstico psiquiátrico e sim buscam resolver problemas do seu dia a dia.

A busca pelo autoconhecimento nos ajuda a entender o que normalmente pensamos e sentimos de maneira equivocada e com isso nos comportamos de maneira equivocada em muitas situações do nosso dia.  Em muitas ocasiões vamos entender por exemplo, que podemos dizer não, que não precisamos agir impulsivamente, que não precisamos magoar outras pessoas com nossas opiniões, muitas pessoas acham que falar o que pensa é sempre correto mesmo machucando o outro, podemos ver outras maneiras de falar sem que machuque o outro.

Então procure um profissional qualificado e mude para melhor.

GRAVAÇÃO PROGRAMA – TV CÂMARA

 

Olá amigos, a gravação de hoje com a equipe maravilhosa da TV CÂMARA. O tema foi sobre BULIMIA NERVOSA, prevalência, diagnóstico, tratamento e dicas de como ajudar e prevenir a bulimia.
Um transtorno que afeta principalmente adolescentes e adultos jovens do sexo feminino, sua prevalência estima-se de 4% a 25% da população.
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Telefone: (71)4141-4567/3043-5344.
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Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa na Terapia Cognitivo-Comportamental

 

 

Anorexia e Bulimia Nervosa na TCC

 

Os transtornos alimentares como a anorexia e bulimia nervosa afetam principalmente adolescentes e adultos jovens do sexo feminino1. A população infantil do sexo feminino ao longo dos últimos anos também tem aumentado a sua prevalência, prejuízos biopsicossociais e morbidade são ocasionados com estes transtornos1.

De acordo com Nabuco De Abreu, C. & Cangelli Filho (2004)1, a anorexia nervosa é caracterizada por perda intensa de peso ás custas de dietas rígidas, busca desenfreada da magreza, distorção da imagem corporal e amenorréia.

Um dos primeiros casos descritos na história sobre pacientes com anorexia nervosa foi realizada por Wiliam Gull, em 1874. Ele descreveu três pacientes com quadros anoréxicos. Brunch em 1962 foi o primeiro a relatar o transtorno de imagem corporal na anorexia nervosa1. A partir de 1970, pacientes avaliadas demonstravam receio exagerado de ganhar peso, aliado a emagrecimento, distorção da imagem corporale a amenorréia1.

Pacientes com anorexia nervosa (AN) do subtipo purgativo, ou seja, apresentam episódios de bulimia e/ou prática de purgação (vômitos, diuréticos, enemas e laxantes), tendem a ser mais impulsivas e secomportam de maneira diferente de pacientes que utilizam práticas restritivas utilizam práticas mais restritivas, são mais perfeccionistas e obsessivas2,3.

A bulimia nervosa (BN) é caracterizada pela ingestão de alimentos de maneira muito rápida, sensação de perda do controle, chamados de episódios bulímicos1. Métodos compensatórios são geralmente utilizados como indução de vômitos, uso de medicamentos, dietas, exercícios físicos em excesso, abuso da cafeína eutilização de cocaína.

A buliminia nervosa foi elaborada por Russell em 1979, após descrever trinta pacientes com peso normal, medo de engordar, episódios bulímicos e vòmitos induzidos1. Foi tratada por ele como uma variação da anorexia. A característica principal da BN são os episódios bulímicos.

 

ASPECTOS PSICOLÓGICOS E TRATAMENTO DA BULIMIA NERVOSA

 

Pacientes com BN apresentam pensamentos distorcidos e emoções desadaptativas com relação aos habitos alimentares e peso corporal1. Apresentam auto-estima flutuante, acham que vão resolver problemas na sua vida diária mantendo o corpo magro, buscam adotar estratégias de emagrecimento com comportamentos radicais para atingir o objetivo de ser feliz, magro1. Eses pensamentos distorcidos as fazem acreditar que a sua segurança emocional está ligada ao controle de seu peso1.

Desenvolver a privação de alimentos para perder peso não é fácil, período de restrição de alimentação, condição essa por longos períodos de tempo, acabam resultando em quadros de comer compulsivo, quadro só compensado com utilização de laxantes, diuréticos, prática excessiva de atividade física e vômitos auto-induzidos1.

As premissas presentes nessas pessoas é de que “ser magra é o mesmo que ser atraente e/ou feliz”1.

Um das possíveis causas etiológicas desses casos estão a desorganização pessoal, clínicos suspeitam que esses casos sejam uma maneira alternativa de regulação e controle da alimentação é uma estratégias equivocada de ordenação e estabilidade1. Com isso acabam evitando relacionamentos amorosos por se sentirem gordas em outros momentos se engajam em relacionamentos afetivos de maneira intensa e sem parâmetros. Possuem relacionamentos familiares com baixo repertório de cumplicidade e respeito interpessoal, famílias de pacientes com BN são descritas como perturbadas, mal organizadas, dificuldades de expressão de afeto e cuidado4.

Aspectos psicológicos importantes para serem observados para a BN, segundo Nabuco De Abreu, C. & Cangelli Filho (2004):

  • Baixa auto-estima;
  • Pensamento do tipo “tudo ou nada”;
  • Intensa ansiedade;
  • Perfeccionismo;
  • Incapacidade de encontrar formas de prazer e satisfação;
  • Busca de problemas nas coisas;
  • Exigência alta;
  • Incaapcidade de “ser feliz”.

A AN, é um tipo de trantorno alimentar que se comparado a bulimina nervosa, precisa de uma atenção maior por parte dos profissionais e familiares no tratamento1. Isto ocorre devido a poucas pesquisas envolvendo este transtorno, o índice de prognóstico satisfatório encontrado na literatura é muito pequeno, geralmente os resultados para NA são desanimadores1. As pesquisas apresentam dados muito contraditórios1.

As razões principais para a carência de pesquisa na área são:

  • Baixa incidência do transtorno;
  • Dificuldade de recrutar pacientes;
  • Severidade do transtorno;
  • Alto índice de desistência da terapia ambulatorial.

Nas principais pesquisas encontradas, o que se busca alcançar no tratamento da AN é, segundo Nabuco De Abreu, C. & Cangelli Filho (2004), são:

  • Restabelecer os padrões normais de tratamento;
  • Promover autoregulação do peso corporal;
  • Reduzir comportamentos purgativos ou restritivos;
  • Criar motivação para a mudança.

Os aspectos psicológicos envolvidos na AN de acordo com Nabuco De Abreu, C. & Cangelli Filho (2004), são:

  • Baixa auto-estima;
  • Sentimento de desesperança;
  • Desenvolvimento insatisfatórioda identidade;
  • Tendência a buscaraprovação externa;
  • Extrema sensibilidade críticas;
  • Conflitos relativos ao temas de autonomia x dependência.

A AN é um doença complexa que estabelece muitos desafios em cada estágio do tratamento, os pacientes são refratários ao tratamento, as recomendações  índice de recaída é muito grande1.

A Terapia Cognitivo-Comportamental tem resultados efetivos no tratamento tanto de AN e BN, 70% dos clientes que conseguem seguir no tratamento tem resultados eficazes, isto é, não satisfazendo os critérios diagnósticos após tratamento adequado1.

 

REFERÊNCIAS:

  1. Nabuco De Abreu, C. & Cangelli Filho, R. Anorexia nervosa e bulimia nervosa – Abordagem cognitivo-construtivista de psicoterapia. Rev. Psiquiatr. Clin.31,177–183 (2004).
  2. Garner, D. M., Garner, M. V. & Rosen, L. W. Anorexia nervosa “restricters” who purge: Implications for subtyping anorexia nervosa. Int. J. Eat. Disord.13,171–185 (1993).
  3. Mitchell, J. E., Crow, S., Peterson, C. B., Wonderlich, S. & Crosby, R. D. Feeding laboratory studies in patients with eating disorders: A review. Int. J. Eat. Disord.24,115–124 (1998).
  4. LASK, B. Anorexia Nervosa and Related Eating Disorders in Childhood and Adolescence. J. R. Anthropol. Inst.7,159–201 (2001).

ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO PENSAMENTO

ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO PENSAMENTO

 

De acordo com Knapp e Col. (2004)1, Na Terapia Cognitiva (TC), há três de cognição:

  • Pensamentos Automáticos (PA);
  • Crenças Secundárias (CS);
  • Crenças Nucleares (CN).

 

CRENÇAS NUCLEARES

 

Crenças nucleares (core Beliefs), são nossos pensamentos mais enraizados e fundamentais acerca de nós mesmos, do mundo e do futuro (tríade cognitiva)1. Crenças incondicionais, independente como se apresente irá funcionar de maneira contrária a crença central, são crenças, pensamentos enraizados distorcidos. Todos nós temos nossas crenças, pensamentos pressupostos mas na TC na prática clínica vamos abordar os disfuncionais1.

As crenças nucleares são construídas e formadas ao longo da nossa história de vida, insto é, desde a infância, vão se fortificando ao longo da vida, modelando a percepção e a interpretação dos eventos. Quando nós não conseguimos corrigir as crenças distorcidas, tendemos a acreditar que são verdades absolutas e imutáveis. Modificar as crenças centrais é o último objetivo em TC1.

Knapp e Col (2004) descrevem que na TC existem três grandes grupo de crenças nucleares:

  • Crenças nucleares de desamparo;
  • Crenças nucleares de desamor;
  • Crenças nucleares de desvalor.

As pessoas desenvolvem crenças disfuncionais sobre outras pessoas. Ascrenças nucleares são mais abstratas e gerais, são mais enraizadas do que os pensamentos2. As crenças disfuncionais são mais absolutistas, generalizadas e enraizadas. Podem permanecer latentes por muito tempo, ativando-se nos transtornos emocionais1. Com essa ativação o processo de informação pode ser tendencioso, fazendo-nos negligenciar ou minimizar informações importantes ou evidências concretas. Ao passar elo evento precipitante ou pela correção das crenças, ela pode voltar ao período de latência, podendo ressurgir quando ocorrer situação semelhante no futuro.

 

ESQUEMAS

 

São estruturas internas de relativa durabilidade que guarda aspectos genéricos ou protótipos de estímulos, ideias ou experiências, reorganizam informações novas e determinam como os fen1menos são percebidos e conceituados1. São estruturas cognitivas com crenças1.

O conteúdo dos esquemas são crenças formadas pelo nosso sistema de processamento de informação, é com estes dados que interpretamos as experiências de nossas vidas. O esquema ajuda a experiência, dando significado a estrutura do sistema cognitivo, afetivo e comportamental ao longo de nossas vidas e eventos que passamos.3

Tipos de esquemas:

  • Esquema afetivo;
  • Esquema fisiológico;
  • Esquema comportamental;
  • Esquema motivacional.

Cada um desses esquemas é responsável por diferentes funções ou aspectos do sistema biopsicossocial do organismo e da nossa estrutura mental1.

Além do conteúdo, os esquemas possuem várias propriedades e características:

  • Carga (valência afetiva);
  • Maior ou menor, tamanho (mais amplo ou mais estreito);
  • Flexibilidade;

Os esquemas mal – adaptativos internalizam-se por três principais formas:

  • Manutenção do esquema;
  • Evitação do esquema;
  • Compensação do esquema.

 

CRENÇAS SUBJACENTES/ SECUNDÁRIAS/ INTERMEDIÁRIAS

 

São estruturas cognitivas disfuncionais, secundárias aos pensamentos automáticos1. São regras, padrões, normas, premissas e atitudes que temos e que norteiam nosso comportamento1.

Elas são formas sempre condicional, exemplo: “caso eu estude muito, serei considerado inteligente.”

 

PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS (P.A.)

 

Todos os dias, em várias situações nos ocorrem milhares de pensamentos automáticos, há maioria nem percebemos, acontecem de forma tão rápida involuntária e automática, por isso o nome1. São exagerados, distorcidos, equivocados irrealistas ou disfuncionais, seus papel é importante nas patologias, devido a influenciar as emoções e comportamentos das pessoas1. O primeiro objetivo da TC é a modificação ou reestruturação cognitiva dos pensamentos automáticos1.

Eles são ativados por eventos externos ou internos, são cognições mais fáceis de acessar e modificar, por isso serem o primeiro objetivo da TC.

 

 

REFERÊNCIAS:

 

  1. Knapp, P. e C. Terapia Cognitivo-Comportamentalna Prática Psiquiátrica. (ARTMED, 2004).
  2. Beck, Aaron; Rush, John; Shaw, Brian; Emery, G. Teoria Cognitiva da Depresão. (1997).
  3. Beck, aaron; Alford, B. Depressão: causas e tratamento. (Canto, Mônica, 2011).

Como Dominar o Sono

Problemas com sono, mais conhecido com a insônia, acontece com muita frequência. 3 em cada 10 pessoas apresentam algum tipo de transtorno do sono em um ano e 7% dessas pessoas satisfazem os critérios para insônia (Le Blanc et al., 2006 citado por Hofmann, 2014). Insônia é definida como dificuldade em iniciar, manter ou obter um sono satisfatório.

A insônia está relacionada geralmente há alguma patologia, como: depressão, ansiedade, uso de substâncias e outras condições médicas. 1 a 2% sofrem com a chamada insônia primária, definida como transtorno do sono que persiste independentemente de qualquer outra condição comprida. Insônia geral, desenvolve-se em qualquer idade (Hofmann, 2014).

Critérios do DSM-V para insônia primária, são:

(1) o problema principal é a dificuldade em iniciar ou manter o sono durante um período mínimo de um mês;

(2) o problema causa sofrimento e prejuízos significativos;

(3) o problema não ocorre exclusivamente em consequência de outro transtorno do sono ou mental, ou com resultados dos efeitos de uso de substância ou de uma condição médica.

Sono reparador regula nosso ciclo de sono e vigília, digestão e a temperatura do corpo, etc. Atrapalhamos nosso ciclo natural do sono geralmente quando: dormimos de dia,  vamos para cama cedo demais, não relaxamos antes de dormir, assistimos TV, ou fazemos outras atividades antes de dormir que atrapalhe o sono, também quando nos esforçamos para dormir e nos preocupamos com o futuro em demasia (Hoffman, 2014).

Estratégias de Tratamento

Modelo para insônia primária desenvolvido por Harvey (2002), propõe que as pessoas querem dormir muito rápido e ter o máximo de sono, se preocupando demais em não conseguir sono suficiente gerando pouco sono e problemas a saúde geral e profissional. A atividade cognitiva causa excitação fisiológica e estresse subjetivo. Isto faz com que a pessoa com insônia observe os sinais físicos dificultando o adormecer, registra ainda o tempo que permanece acordado. Acrescentando-se  a isso o insone faz: processos seletivos de atenção e monitoramento do sono, percepção distorcida do sono e deficits diurnos, crenças mal-adaptativas e tentativas equivocadas de ter sono de qualidade (Hofmann, 2014)

Estratégias eficazes de sono:

  • corrigir pensamento distorcidos e esclarecer sobre a natureza do sono e dos transtorno de sono;
  • instruções para controle de estímulos (eliminar sono diurno e nos finais de semana dormir mais);
  • reduzir a quantidade de tempo que passa na cama tentando dormir;
  • psicoeducação (higiene do sono, eventos que causem estresse, etc.);
  • reestruturação cognitiva (na higiene do sono corrigir crenças centrais distorcidas;
  • controle de estímulos ensinar a pessoas mecanismos inibitórios á excitação condicionada á insônia;
  • Restrição de sono (quantidade excessiva de tempo em que a pessoa passa na cama tentando dormir);
  • Relaxamento, respiração e meditação (técnicas para ajudar a diminuir a excitação fisiológica);
  • atividade física durante o dia;

Obs: o tratamento mais comum para insônia primária é a farmacoterapia, utilizando hipnóticos e antidepressivos (Walsh e Schweitzer, 1999).

 

REFERÊNCIAS:

Le Blan et al. Incidence and Risk Factors of Insomnia in a Population-based Sample. Sleep, 32, 1027-1037, 2006.

Harvey, a. G. A Cognitive Model of Insomnia. Behavior Research  and Therapy. 40, 860-893, 2002.

Hofmann, S. Introdução á Terapia Cognitivo-Comportamental Contemporânea. Porto Alegre. Artmed. 2014.

Transtorno de Ansiedade Generalizada e a Preocupação

Existem uma série de critério para se definir como Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). De acordo com o DSM-V, são: a maioria  dos dias durante um período mínimo de seis meses e está associada a inquietude, sensação de tensão ou estar no limite, ficar cansado facilmente, ter dificuldade em concentrar-se, estar irritável, apresentar tensão muscular e desenvolver transtornos do sono. As preocupação precisam causar prejuízo significativo para a pessoa e interferir no seu dia a dia.

A média de idade de início do TAG é de 31 anos, sendo que a metade desses pacientes relatam que começou na faixa dos 20 aos 47 anos (Kessler et al., 2005). A prevalência maior entre mulheres, brancas e pessoas de baixa renda.

Se preocupar como um evento futuro não é o mesmo que se antecipar a este evento. É o processo cognitivo que envolve a atividade verbal, em menor proporção e imagens.Processos e imagens verbais são ações cognitivas e estão relacionadas a vários efeitos psicofisiológicos e emocionais. Pesquisadores associam a preocupação  fatores cognitivos de vulnerabilidade e falar de repertório quanto á incerteza. Essas incertezas são  definidas como um conjunto de crenças sobre as incertezas do mundo e do futuro.

 

REFERÊNCIAS:

HOFMANN, S. Introdução á Terapia Cognitivo-Comportamental. Porto Alegre. Artmed. 2014.

 

O Efeito da Terapia Cognitivo-Comportamental na Prevenção do Transtorno Depressivo Maior

O transtorno depressivo maior (TDM) é o mais comum e prevalente transtorno mental, caracterizado por humor rebaixado, baixo autoconfiança e aversão á atividade sem justificativa específica. É uma das principais causas de incapacidades no mundo, a prevalência na população mundial é de aproximadamente 16%. O risco de recaída é alto. A cada episódio, esse risco de recaída. A taxa de recaída na depressão maior é de 50%, após mais um episódio a taxa aumenta para 80% de depois da terceira recaída, a taxa sobe para 90%.

Os altos índices de recaída associados ao risco e dificuldade para a família e sociedade, os prejuízos causados para o transtorno depressivo recorrente, a tentativa de prevenir a recaída, mostram a importância do manejo a longo prazo da (TDM).

O tratamento mais utilizado é a farmacoterapia. A longo prazo o tratamento medicamentoso causam muitos efeitos colaterais, somando-se a isso a falta de informação das pessoas, as crenças com relação a medicação, aumentam as taxas de abandono neste tipo de tratamento. A psicoterapia diferente da farmacoterapia mostra benefícios a longo prazo. Os pacientes  diminuiriam o risco de recaída, compreendendo muitas técnicas úteis para lidar nesta situações. Procurar uma de psicoterapia é a alternativa mais adequada e deve ser uma prioridade na saúde pública.

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é um dos tratamentos mais utilizados no mundo para os transtornos mentais. A TCC visa mudar as cognições distorcidas (crenças e pensamentos) dos clientes. Os estudos de metanálises demonstraram que a TCC foi mais eficaz na redução dos risco de recaída no TDM. Para o tratamento de TDM a longo prazo (24 meses ou mais), o efeito preventivo da TCC foi mantido de 2 a 6 anos na prevenção recorrente. Esta metanálise mostro a eficácia da TCC  na redução da taxa de recidiva em pessoas com TDM em remissão (período específico da TDM). A TCC foi eficaz na prevenção de outro episódio depressivo. Em curto prazo a TCC também se mostrou eficaz.

1. Zhang Z, Zhang L, Zhang G, Jin J, Zheng Z. The effect of CBT and its modifications for relapse prevention in major depressive disorder: a systematic review and meta-analysis. BMC Psychiatry [Internet]. 2018;18(1):50. Available from: https://doi.org/10.1186/s12888-018-1610-5.

FUNDAMENTOS, CONCEITOS E APLICAÇÕES EM TERAPIA COGNITIVA

INTRODUÇÃO

A terapia cognitiva (TC) e a forma genérica como muitos hoje conhecem como terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a abordagem da psicologia mais procurada atualmente. Desde 1963, quando Beck passou a publicar sobre a depressão e TC, houveram muitos progressos que melhoraram o modelo cognitivo.

Mesmo com a evolução da TC, seus pressupostos básicos permanecem até hoje. A premissa de que os pensamentos distorcidos influenciam as nossas emoções e comportamentos. A pesquisa e prática clínica mostraram a efetividade da TC na redução dos sintomas e recaídas, com ou sem medicação, para muitos transtornos psiquiátricos.

Beck então resolveu aplicar sua teoria e terapia para outros transtornos, como: depressão, suicídio, transtornos de ansiedade e fobias, transtornos de personalidade e abusos de substâncias, problemas interpessoais, raiva, hostilidade, violência, e efeitos com medicação. A criação de protocolos cognitivos-comportamentais para uma gama de transtornos médicos e psicológicos chamaram a atenção, a eficácia do tratamento também. Testou então no tratamento em dor crônica, relação conjugal conflituosa, transtornos somáticos na infância, bulimia e problemas de comer compulsivo. Em 2008, na publicação de Knapp e Beck, já tinham 330 artigos mostrando os resultados de intervenções cognitivo-comportamentais. Outros estudos mostraram a eficácia com neuroimagem. Estudos recentes mostraram que a TCC produz mudanças fisiológicas e funcionais do cérebro.

FUNDAMENTOS TEÓRICOS

            O modelo cognitivo foi desenvolvido por Beck para esclarecer os processos psicológicos da depressão, na tentativa de demonstrar os erros da teoria freudiana. Baseado na sua pesquisa sistemática e observação clínica, ele propôs que os sintomas da depressão poderiam ser explicados em termos cognitivos como interpretações distorcidas de situações, relacionadas á ativação de representações negativas de si, do mundo e do futuro (tríade cognitiva).

A consequência disso foi de questionar o conceito de inconsciente da psicanálise e seu método terapêutico praticado. Diferenciou da psicanálise com abordagem cognitiva, focando o tratamento no presente e na análise psicológica de experiências acessíveis. A contribuição da psicanálise foi a estruturação primário e secundária da cognição. A terapia cognitiva também herdou da psicanálise os processos intrapsíquicos e não no comportamento observável. Porém existem mais semelhanças com a terapia comportamental nos seus procedimentos terapêuticos.

A influência das ciências cognitivas e da psicologia cognitiva foram importantes para a base da TC. George Kelly, Teoria cognitiva das emoções de Richard Lazarus, Bandura com a auto regulação e Donald Meichenbaum, além de Arnold Lazarus. A abordagem científica da Terapia Comportamental ajudou na construção de muitos procedimentos e estratégias terapêuticas, como: estrutura de sessão, atividade do terapeuta ativa, objetivos do tratamento, formulação, hipóteses, feedback, técnicas de solução de problemas, treinamento de habilidades sociais, tarefa de casa e experimentos entre as sessões, medição de variáveis mediacionais e desfechos.

Do ponto de vista filosófico é vista como mais humanista do que a terapia comportamental, lida com sentimentos e pensamentos.

PRINCÍPIOS DA TC

O seu pressuposto fundamental descreve que a maneira como pensamos, influencia como nos sentimos e nos comportamos. O objetivo da TC é reestruturar e corrigir os pensamentos distorcidos e desenvolver soluções para produzir essas mudanças e melhorar transtornos emocionais.

Os pensamentos automáticos são considerados diferentes do pensamento racional, acontecem de maneira tão rápida, fazendo com que a interpretação desses pensamentos seja geralmente disfuncional, ou seja, equivocada. São confundidos com os sentimentos, não fazemos um raciocínio reflexivo deles. Na TC as pessoas são treinadas a identifica-los. De acordo com Beck, esses pensamentos são passíveis de identificação e reflexão, então é possível, perceber, identificar e avalia-lo.

Na origem desses pensamentos distorcidos estão os esquemas (crenças nucleares). São estruturas cognitivas internas relativamente duradouras de armazenamento de características genéricas ou prototípicas de estímulos, ideias ou experiências que são utilizadas para organizar novas informações de maneira mais significativa, influenciando como os eventos são percebidos e conceitualizados. Crenças nucleares introduzidas nas estruturas cognitivas desses pensamentos modelo a forma de pensar de cada pessoa e geram erro cognitivos encontrados na patologia.

Os esquemas são formados desde a infância, e determinam como processamos as informações e experiências no presente. A história de vida de cada determina esses esquemas ou ajuda a inibi-los. Esquemas funcionais, fazem com que uma pessoa pense de maneira mais realista. Em associação as crenças nucleares, encontra-se as crenças subjacentes, que são pressupostos/regras e a ativação dessas regras influenciam na capacidade de avaliação objetiva dos eventos. Distorções cognitivas são acionadas á medida que os esquemas disfuncionais são ativados.

PROCEDIMENTOS E TÉCNICAS

A TC não é um conjunto de técnicas aplicadas mecanicamente. O terapeuta tem que saber utilizar de suas habilidades terapêuticas para garantir eficácia do tratamento e procedimentos da TC.

CONCEITUALIZAÇÃO DO CASO

No início da terapia, o terapeuta desenvolve sua conceitualização do caso e ela permanece no decorrer do tratamento, mudando á cada dado clínico importante trazido a terapia, a conceitualização será alterada e atualizada. Deve ser de maneira individual. Contém uma avaliação histórica e prospectiva dos pensamentos.

TÉCNICAS COGNITIVAS E COMPORTAMENTAIS

A separação entre as técnicas cognitivas e comportamentais é somente para fins didáticos. Pois as técnicas afetam e modificam os pensamentos como também a maneira como a pessoas se comporta. Muitas técnicas serão utilizadas dependendo do perfil cognitivo do transtorno, fase da terapia e conceitualização cognitiva específica de cada caso. Exemplos de técnicas cognitivas: identificação, questionamento e correção de pensamentos automáticos, reatribuição e reestruturação cognitiva, ensaio cognitivo e procedimentos que envolvem mentais. No início é focada nos pensamentos automáticos por serem mais fáceis de serem identificados, reestruturá-los e modifica-los.

Técnicas comportamentais são associadas no programa de TC de várias meniras.

Grande parte da TC é voltada para resolução de problemas. Treinamento de habilidades sociais é importantes ferramenta utilizada. Foi desenvolvida para formato individual, grupo, casais, famílias, todas as faixas etárias, em diferentes situações. As indicações da TC são determinadas pelas variáveis do terapeuta e paciente, do que pela natureza do transtorno.

REFERÊNCIA:

KNAPP, Paulo and BECK, Aaron T. Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2008, vol.30, suppl.2, pp.s54-s64. ISSN 1516-4446.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462008000600002.