A Prevalência dos Transtornos de Ansiedade

A ansiedade é um sistema defesa para nosso organismo, sendo um sinal de alerta que permite as pessoas a ficarem alertas frente á uma ameaça existente em nossa realidade(1,2). Ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto originado pelo pensamento de previsão de futuro catastrófico, de algo desconhecido ou catastrófico(2,3).

Os transtornos ansiosos são os mais prevalentes tanto em crianças quanto adultos, sua taxa de prevalência é de 9% á 15% respectivamente(4,5). O transtorno de ansiedade de separação tem uma taxa de prevalência de 4%, o transtorno de ansiedade excessiva ou TAG tem taxas de 2 a 4% e fobias específicas de 2 á 3%, fobia social 1% e Transtorno do pânico 0,6%(2,6,7). A causa dos transtornos ansiosos são de várias origens, incluem fatores genéticos e ambientais, afetam mais as mulheres do que homens, apresentam um curso crônico, com alguns episódios periódicos ou flutuantes(1,4,8).

O profissional deve observar algumas contingências como a história detalhada do início dos sintomas, fatores desencadeantes, desenvolvimento, comportamento dos pais, fatores etiológicos e a presença de comorbidade(9). O Transtorno de ansiedade é um transtorno psiquiátrico, caracterizado por uma preocupação excessiva, de início visto como leve e associada á comorbidades individuais e sociais(1,10).

 

REFERÊNCIAS:

  1. Layne AE, Bernat DH, Victor AM, Bernstein GA. Generalized anxiety disorder in a nonclinical sample of children: Symptom presentation and predictors of impairment. J Anxiety Disord. 2009;23(2):283–9.
  2. Regina A, Castillo GL, Recondo R, Asbahr FR. Transtornos de ansiedade ranstornos de ansiedade. Rev Bras Psiquiatr. 2000;22(supl III):22–5.
  3. ALLEN AJ, LEONARD H, SWEDO SE. Current Knowledge of Medications for the Treatment of Childhood Anxiety Disorders. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry [Internet]. 1995;34(8):976–86. Available from: http://dx.doi.org/10.1097/00004583-199508000-00007
  4. BERNSTEIN GA, BORCHARDT CM, PERWIEN AR. Anxiety Disorders in Children and Adolescents: A Review of the Past 10 Years. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry [Internet]. 2003;35(9):1110–9. Available from: http://dx.doi.org/10.1097/00004583-199609000-00008
  5. Herkenham M, Kigar SL. Contributions of the adaptive immune system to mood regulation: Mechanisms and pathways of neuroimmune interactions. Prog Neuro-Psychopharmacology Biol Psychiatry [Internet]. 2017;79:49–57. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.pnpbp.2016.09.003
  6. Whitaker A. Uncommon Troubles in Young People: Arch Gen Psychiatry. 2011;47(5):487.
  7. Mcardle ET, Pollack MH, Worthington JJ, Sabatino S, Majcher D, Rosenbaum F. Relationship of Childhood Anxiety Correlates and Influence to Adult Panic on Course Disorder: Am J Psychiatry. 1996;153(March):376–81.
  8. Hunter C. Anxiety disorders in children and adolescents .pdf. South Med J. 1999;92(10):945–54.
  9. Beitchman JH, Cantwell DP, Forness SR, Kavale KA, Kauffman JM. Practice Parameters for the Assessment and Treatment of Children and Adolescents With Language and Learning Disorders. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2003;37(10):46S-62S.
  10. Barry A B TJ, Yeung SP, Lau JYF. Meta-analysis of the in uence of age on symptom change following fl cognitive-behavioural treatment for anxiety disorders. J Adolesc [Internet]. 2018;68(August):232–41. Available from: https://doi.org/10.1016/j.adolescence.2018.08.008

 

Terapia Cognitivo-Comportamental da Depressão

A depressão ocasiona muitos problemas na vida das pessoas, sendo uma doença psiquiátricas mais prevalentes no mundo(1–3). Comprometendo sua vida em situações sociais, familiares, escolares, de trabalho e outras áreas(4).

A depressão parece estar relacionada com problemas pessoais, genéticos, sociais e de adaptação(1). É muito importante observar o contexto social e interpessoal do indivíduo deprimido(1–3). O terapeuta ao olhar todos estes contexto vi saber lidar melhor com o presente e os episódios futuros(1).

A prevalência de 1 ano de depressão unipolar é de 6% e ao longo da vida é de 16%(1). Os sintomas são observados com maior frequência no fim da adolescência e início da fase adulta, 50% até os 30 anos(1). As mulheres tem uma probabilidade duas vezes maior de desenvolver este transtorno(1).

Em muitos casos, a depressão tem curso crônico e recorrente(4). Estudos apontam que 30% dos clientes ainda estão deprimidos após um ano, 18% após dois anos e 12% após cinco anos, sofrem com risco de recaídas, risco elevado de suicídio e menor repertório psicossocial e mortalidade(4–6). Os clientes que se recuperam com tratamento, mais de 50% recaem(4).

A maioria dos indivíduos, cerca de 70%, se recupera da depressão no prazo de um ano(1,3). Outros sofrem com problemas e se a depressão não for tratada de forma adequada, ela costuma durar de quatro meses a um ano(1). Recaídas e recorrências são comuns, muitos episódios de recaídas ou recorrências são relatados na vida de pessoas que sofrem com depressão(1,3).

A preocupação com clientes deprimidos e que apresentam um curso crônico é o suicídio(4,5). Metanálises mostram que o risco é de 2% para pacientes menos graves e 8% para depressão mais grave com histórico de internações(7). A alta prevalência e incapacitação, colocam a depressão maior como a segunda maior causa de incapacitação em países desenvolvido(5–10).

Modelo Cognitivo da Depressão

Em 1960, Aaron Beck concluiu que a depressão é o resultado de pensamentos enraizados(4). Para Beck, os humor e comportamentos disfuncionais, eram em decorrência de pensamentos e crenças distorcidas(2,3). Pessoas deprimidas acreditam que os problemas são maiores do que a realidade(1–3). Esta nova abordagem da psicologia ficou conhecida como Terapia Cognitiva(TC)(4). Vários ensaios clínicos comprovam a eficácia da terapia cognitiva como maior amparo clínico no tratamento da depressão(11).

O desenvolvimento da Terapia Cognitiva(TC) ou da Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC), comportamental é o termo genérico para o profissional que utiliza técnicas comportamentais aliada á técnicas cognitivas, passaram a ser aplicadas a todos os transtornos psicológicos(12). A TCC no tratamento da depressão mostra resultados tão bons ou superiores quanto o tratamento farmacológico ou outras abordagens da psicologia, mostrando resultados mais duráveis do que o farmacológico e com menos recorrência(13).

Tríade Cognitiva

A TC pressupõe dois princípios básicos: a tríade cognitiva e as distorções cognitiva(1,2,12). A tríade cognitiva corresponde a visão que a pessoa, do mundo e do futuro, no modelo da depressão essas três visões vão estar sempre de maneira negativa e com desesperança(2). Na depressão quando esses pensamentos negativos se relacionam com ideação suicida, o sentimento de desesperança se torna mais intenso e o pensamento de morte se torna um alívio para sua dor(14).

O cliente deprimido pensa sua experiência de maneira negativa e antecipa resultados adversos, assim os eventos e expectativas acabam gerando pensamentos e comportamentos depressivos, assim uma nova interpretação da situação só irá certificar os sentimentos de inadequação, baixa autoestima e desesperança(2).

Distorções Cognitivas

Distorções cognitivas são equívocos lógicos de pensamento, erros sistemáticos de percepção e processamento(2). Clientes com depressão estruturam suas experiências de maneira rígida e inflexível, gerando erros de interpretação do desempenho pessoal e de situações do dia a dia(4).

As distorções derivam de regras e pressupostos adquiridos ao longo de nossa vida(11). Em pessoas deprimidas essa crenças são sensíveis a situações de estresse e levam ao deprimido a utilizar um estratégia ineficaz(2,3).

As principais distorções cognitivas encontradas em clientes depressivos segundo Beck et al.(2), são:

  • Inferência arbitrária;
  • Abstração seletiva;
  • Hipergeneralização;
  • Personalização.

Método de Tratamento da Terapia Cognitiva

A TC parte do pressuposto que a maneira como pensamos influencia como nos sentimos e comportamos(2). Na depressão, a terapia cognitiva trabalha em três fases:

  • Esquemas e pensamentos disfuncionais;
  • Amparo Social;
  • Mudança de comportamento para melhorar suas estratégias.

No processo de tratamento da depressão na TC, o cliente é ativo, onde é ensinado a:

  1. Identificar percepções distorcidas;
  2. Reconhecer pensamentos negativos e buscar repostas alternativas;
  3. Encontrar evidências que apoiem os pensamentos negativos ou alternativos;
  4. Reestruturar cognitivamente os pensamentos.

A TC sofre críticas de outras abordagens de maneira equivocada porque relacionam a TC a teoria do pensamento positivo, na verdade o terapeuta junto com seu cliente buscam pensamentos mais realistas(1–3).

Principais Técnicas no Tratamento da Depressão na Terapia Cognitivo-Comportamental

  • Ativação comportamental;
  • Evocação de pensamentos e pressupostos;
  • Explicação de como pensamentos geram sentimentos;
  • Registro de pensamentos disfuncionais;
  • Seta descendente.
  • Prevenção a recaídas.

REFERÊNCIAS:

  1. Hofman SG. Lidando com a depressão. In: Neufeld C., editor. Introdução á Terapia Cognitivo-Comportamental Contemporânea. Porto Alegre: ARTMED; 2014. p. 121–34.
  2. Beck, Aaron; Rush, John; Shaw, Brian; Emery G. Teoria Cognitiva da Depresão. 1a. Lima L, editor. Porto Alegre; 1997. 305 p.
  3. Beck, aaron; Alford B. Depressão: causas e tratamento. 2nd ed. Meyer E, editor. Porto Alegre: Canto, Mônica; 2011. 344 p.
  4. Powell, Vania Bitencourt, Abreu N, Oliveira IR de, Sudak D. Terapia cognitivo-comportamental da depressão. Rev Bras Psiquiatr. 2008;30(Supl II):73–80.
  5. Rovner B, Casten R. The Epidemiology of Major Depressive Disorder. Evidence-Based Eye Care. 2003;4(4):186–7.
  6. Parton G. Book Review: Treating Depression Effectively: Applying Clinical Guidelines. J Psychopharmacol. 2005;19(5):558–558.
  7. Michael Bostwick J, Shane Pankratz V. Affective Disorders and Suicide Risk: A Reexamination. Am J Psychiatry [Internet]. 2000;157(9):12. Available from: https://ajp.psychiatryonline.org/doi/pdf/10.1176/appi.ajp.157.12.1925
  8. Read JR, Sharpe L, Modini M, Dear BF. Multimorbidity and depression: A systematic review and meta-analysis. J Affect Disord [Internet]. 2017;221:36–46. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.jad.2017.06.009
  9. Antonuccio DO, Danton WG, DeNelsky GY. Psychotherapy Versus Medication for Depression: Challenging the Conventional Wisdom With Data. Prof Psychol Res Pract. 1995;26(6):574–85.
  10. Segal Z V. Prevention of recurrent depression with mindfulness-based cognitive therapy. 2002;55:21–3. Available from: 533222009-006.pdf
  11. Butler AC, Chapman JE, Forman EM, Beck AT. The empirical status of cognitive-behavioral therapy: A review of meta-analyses. Clin Psychol Rev. 2006;26(1):17–31.
  12. Knapp P e C. Terapia Cognitivo-Comportamentalna Prática Psiquiátrica. 1st ed. Knapp P, editor. Porto alegre: ARTMED; 2004. 71-87 p.
  13. Dobson KS. A meta-analysis of the efficacy of cognitive therapy for depression. J Consult Clin Psychol. 2005;57(3):414–9.
  14. HOROWITZ MJ. Cognitive Therapy and the Emotional Disorders. Am J Psychiatry [Internet]. 2014;136(12):1624-a-1625. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/S0033-3182(77)71107-7

Terapia Cognitiva do Transtorno de Personalidade Dependente

Muitos estudos são desenvolvidos na área dos transtornos de personalidade1. A maior parte destes estudos teve seu início da década de 801. O conceito de Personalidade envolve a relação entre temperamento e caráter, características emocionais e biológicas1. Quando as características da personalidade geram dificuldades na adaptação, ocasionando sofrimento as pessoas, podemos começar a pensar em Transtorno de Personalidade(TP)1.

Indivíduos com TP comumente apresentam esquemas não-adaptativos e inflexíveis, devido a manutenção cognitiva de processos descritos por Beck e Freeman (1993)2, como distorções cognitivas. Pessoas com o Transtorno de Personalidade Dependente (TPD), são geralmente ansiosos e ficam com muita frequência preocupados com a aceitação do terapeuta, este comportamento pode facilitar o processo de tratamento3.

Segundo APA (2002)4, os transtornos de personalidade são:

  • Paranóide;
  • Esquizóide;
  • Esquizotípica;
  • Anti-Social;
  • Borderline;
  • Histriônica;
  • Narcisista;
  • Evitativo;
  • Dependente;
  • Obsessivo-Compulsiva;
  • Sem outra especificação.

Nesta publicação irei descrever o Transtorno de Personalidade Dependente (TPD). O TPD tem como definição um padrão de comportamento submisso e aderente, relacionado a uma necessidade excessiva de proteção e cuidados1. Na prática clínica é um dos mais prevalentes e mais diagnosticado nas mulheres1. Outros estudos mais estruturados descrevem taxas similares entre homens e mulheres3.  É um transtorno de início precoce, crônico e está presente em inúmeros contextos4.

Indivíduos com TPD tem uma necessidade excessiva de ser cuidado, gerando um comportamento submisso e medo de separação1.  De acordo com Beck e Freeman (1993), os comportamentos dependentes e submissos tem por objetivo a obtenção da atenção e cuidados, surgem da percepção de si como incapaz de funcionar adequadamente sem  a ajuda de outras pessoas2.

Pessoas com TPD tem dificuldades4:

  • Tomar decisões com autonomia;
  • Reassegurar com outras pessoas;
  • São altamente passivas;
  • Deixam que outras pessoas tomam a iniciativa e assumam a responsabilidade em áreas importantes de suas vidas;
  • Apresentam dificuldades em iniciar projetos;
  • Atuar sozinha em determinadas situações.

Quando obtêm a garantia de supervisão e aprovação, conseguem desenvolver suas atividades de maneira mais funcional, logrando êxito1.  Esta confiança faz com que o indivíduo com TPD não aprenda as habilidades necessárias para realizar suas atividades de maneira independente, fazendo com que sempre precise de uma pessoas para tomar a decisão em tarefas importantes de sua vida1. Isto pode levar ao comportamento extremo, com a intenção de obter carinho e apoio, se oferecendo em tarefas desagradáveis, tudo isto para conseguir os cuidados que necessita1. Se relacionam de maneira desequilibrada, fazendo sacrifícios e tolerando o abuso verbal, físico ou sexual4.

Pessoas com TPD sentem-se desconfortáveis e desamparadas quando estão sozinhas, pelo medo exacerbado de cuidar de si próprias, buscam apoio em pessoas que considere importante, quando o seu relacionamento termina, vai imediatamente atrás de outro que lhe dê apoio e atenção1.

O diagnóstico de Transtorno de Personalidade dependente, segundo o DSM-V, é caracterizado pela excessiva necessidade de ser cuidado, gerando comportamento de submissão. Aderência e temor de separação4. Manifesta-se no início da fase adulta e tem que ter pelo menos cinco dos seguintes sintomas:

  1. Dificuldade em tomar decisões sem asseguramento de outros;
  2. Necessidade de que outros assumam responsabilidade importantes na sua vida;
  3. Dificuldade para discordar por medo de aprovação;
  4. Falta de iniciativa para realizar projetos devido á autoconfiança;
  5. Realizar atos extremos com o objetivo de obter carinho;
  6. Medo exagerado de cuidar de si;
  7. Ao término de um relacionamento íntimo busca imediatamente outro;
  8. Preocupação irreal em ser abandonado.

As cognições mais marcantes neste indivíduos com TPD se referem á baixa autoestima, abandono e medo de errar, frequentemente se acham incapazes de fazer coisas sozinhos. Seus comportamentos mais vistos são falta de iniciativa e não percepção dos prejuízos que este comportamento ocasiona em sua vida1. O comportamento dependente só pode ser considerado se excede as normas culturais ou refletem preocupações irrealistas.

REFERÊNCIAS:

  1. Zanin, C. R. & Valerio, N. I. Intervenção Cognitivo-comportamental em Transtorno de Personalidade Dependente: Relato de Caso. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva6,81–92 (2014).
  2. Beck, A.; Freeman, A. Terapia Cognitiva dos Transtornos de Personalidade. in Terapia Cognitiva dos transtornos de personalidade(ed. Filman, A. E.) (ARTMED).
  3. Ventura, P. R. Psicoterapia Comportamental e Cognitiva de Transtornos Psiquiátricos. in Transtornos de Personalidade199–218 (ARTMED, 1998).
  4. Association, A. P. DSM-V Manual Diagnóstico e estatístico de Transtornos Mentais. (ARTMED, 2013).

 

 

Terapia Cognitiva da Raiva

O Estresse envolve muitos sintomas que o indivíduo apresenta ao ser submetido a situações que exijam adaptação do organismo para enfrentá-las1. De acordo com Lambert e Kinsley (2006)2, o estresse se subdivide em três fases:

  • Alerta (indivíduo entra em contato com sua fonte de estresse e ocorre a perda do equilíbrio);
  • Resistência (indivíduo tenta se recuperar do desequilíbrio sofrido na primeira fase);
  • Exaustão (indivíduo não consegue retomar o equilíbrio, os sintomas agravados, piora dos sintomas físicos em forma de doenças).

Lipp (2003)3apontou uma quarta fase a qual denominou de quase-exaustão, neste momento o indivíduo apresenta desgaste e outros sintomas mas consegue trabalhar e atuar no seu dia a dia, os seus problemas não são graves quanto a exaustão1.

O estresse é um dos maiores fatores de risco para a vida e qualidade de vida1. A pessoa não se sente bem, não consegue desenvolver suas atividades de acordo com seu potencial, perdem a motivação e em alguns casos pode ocorrer o adoecimento1.

Os principais distúrbios associados ao estresse são:

  • Gastrite;
  • Úlcera;
  • Problemas dermatológicos (dermatite, herpes, urticária, psoríase e vitiligo);
  • Variações da pressão arterial;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Dificuldades sexuais;

Lambert e Kingsley (2006)2afirmam que se a resposta ao estresse não pode ser eliminada, o sistema imune é suprimido, ocasionando maior vulnerabilidade de doenças, quando sistema cardiovascular é ameaçado pelo estresse crônico, é esperado a elevação da pressão e frequência cardíaca por longos períodos desgastando o músculo cardíaco.

Muitos fatores acabam por causar reatividade cardiovascular, como a desregulação emocional1. O estresse gerado pela raiva produz reação hormonal que inclui elevados índices de testosterona (nos homens), epinefrina, norepinefrina e cortisol4. A produção crônica desses hormônios aumenta o risco de aterosclerose e deprime o sistema imunológico, com isso o organismo fica mais suscetível á doenças1.

A raiva é muito estudada devido causar sérios problemas no campo social, além de impactar a saúde e qualidade de vida das pessoas1. A raiva no campo social está associada:

  • Relacionamentos conturbados;
  • Violência familiar;
  • Altos índices de divórcio;
  • Perda do emprego;
  • Depressão;
  • Doença coronariana;
  • Úlcera;
  • Morte prematura;
  • Suicídio.

Em 1939, Franz Alexander (apud Mckay et al., 2001)4observou que pessoas hipertensas estão sempre em conflito com o sentimento de raiva e a dificuldade de expressá-la, assim ocorre uma ativação crônica do sistema nervoso simpático causando elevação da pressão arterial.

Estudos como o de (Lambert e Kinsley, 2006 e McKay et al., 2001)2,4  mostram que pessoas que apresentam comportamentos agressivos e hostilidade tem pressão mais alta do que pessoas que apresentam atitude de reflexão ao sentimento de raiva.

Lipp (2005)5constatou que a raiva é um traço marcante na população de hipertensos. Vários pesquisadores apontam nos seus estudos a relação da raiva e a hipertensão, não irei mencionar aqui mas em outro momento adicionarei estes estudos.

A raiva é o estado emocional que abrange sentimentos desde o aborrecimento leve até a fúria e cólera intensas, somando-se por estimulação do sistema nervosos autônomo6. Ocorre quando uma pessoa sente-se ameaçada, injustiçada, acuada ou frustrada, nesse sentido a raiva tem a função de proteção1.

Segundo Lipp (2005)5, a raiva desenvolve-se pelo seguinte processo:

  1. Ocorrência de um evento desencadeador, real ou imaginário.
  2. Interpretação: a pessoa avalia negativamente a situação como ameaçadora.
  3. Estresse: manifestações físicas e psicológicas.
  4. Um comportamento de raiva ocorre.
  5. Reavaliação do que está ocorrendo sob a ótica do forte sentimento de raiva.
  6. Escalonamento da raiva.

A expressão de raiva em homens e mulheres são diferentes5. Homens se manifestam raiva com mais frequência do que mulheres, a justificativa é de que provavelmente a nossa sociedade aprova e incentiva essas manifestações do sentimento de raiva nos homens5.

REFERÊNCIAS:

  1. Lipp, M. E. N., Cabral, A. C. & Grün, T. B. Estudo de caso: treino cognitivo de controle da raiva em paciente com hipertensão leve. Rev. Bras. Ter. Comport. e Cogn.11,231–245 (2018).
  2. Lambert, K. e Kinsley, C. H. Neurociências Clínicas: as bases neurobiológicas da saúde mental. (ARTMED, 2006).
  3. Lipp, M. Mecanismos Neuropsicofisiológicos do Stress: teoria e aplicações clínicas. (2003).
  4. McKay, M.; Rogers, P.D.; McKay, J. Quando a Raiva Dói. (Summus, 2001).
  5. Lipp, M. E. N. Stress e o Turbilhão de Raiva. (Casa do Psicólogo, 2005).
  6. Spielberg, C.; Bagio, A. Manual do STAXI. (Vetor, 1992).