A adolescência é o período mais vulnerável à violência sexual devido às alterações intrínsecas do neurodesenvolvimento, e alguns fatores individuais, incluindo história de violência doméstica na infância e comportamentos de risco, como o consumo de álcool e/ou outras substâncias psicoativas (SPAs).
Fatores socioeconômicos como pobreza, baixa escolaridade e viver em uma sociedade com altos índices de violência também podem influenciar e aumentar a vulnerabilidade dos adolescentes.
O objetivo deste estudo foi comparar a violência sexual sofrida por vítimas no início e no final da adolescência, as reações desencadeadas após a agressão, e o cuidado de saúde dispensado.
Estudo retrospectivo, em que foram revisados os prontuários de 521 mulheres adolescentes atendidas por equipe multiprofissional em hospital de referência em Campinas, São Paulo, Brasil.
As variáveis foram sociodemográficas, e aquelas relativas às características da violência, ao atendimento de emergência, e às reações físicas e psicológicas observadas durante o seguimento nos grupos de adolescentes de idade precoce (10a 14 anos) e tardia (15 a 18 anos).
O grupo precoce (n= 242) continha maior número de estudantes (p< 0,001), que sofreram mais agressões diurnas (p= 0,031), em suas residências (p< 0,001), por agressor conhecido (p< 0,001), tiveram maior necessidade de proteção legal (p= 0,001), e demoraram mais a procurar atendimento (p= 0,048).
Sentimentos de culpa, vergonha e a percepção da violência foram similares entre os grupos.
No grupo tardio (n= 279) houve maior consumo de álcool durante a agressão (p= 0,005); as adolescentes receberam significativamente mais tratamentos de profilaxia; relataram mais sintomas físicos (p= 0,033), distúrbios do sono (p= 0,003), sintomas de ansiedade (p= 0,045), e sentimentos de angústia (p= 0,011); e receberam mais prescrições de psicotrópicos (p= 0,005). Apenas 52% completaram o seguimento de 6 meses, sem diferenças entre os grupos.
Os grupos apresentaram diferenças nas características da violência; as adolescentes precoces chegaram mais tardiamente ao serviço, e o grupo tardio apresentou maior sintomatologia e piora psicológica no seguimento.
São necessárias medidas de prevenção e cuidados específicos voltados a essa população.
Referências Bibliográficas:
Torres, A. S. B., Teixeira, A. L., Côrtes, M. T. F., Alves, Â. C., Alabarse, O., Azevedo, R. C. S. de ., & Fernandes, A.. (2022). Sexual Violence Suffered by Women in Early and Late Adolescence: Care Provided and Follow-Up. Revista Brasileira De Ginecologia E Obstetrícia, 44(7), 667–677. https://doi.org/10.1055/s-0042-1743094