Violência contra pessoas LGBTQIAPN+

A cis-heteronormatividade pode ser entendida como um sistema de relações de poder em que se pressupõe a existência de apenas dois gêneros opostos (homem e mulher), que são sempre coincidentes com os corpos (sexo biológico masculino e feminino) e que sempre se atrairão mutualmente por seu oposto.

No entanto, a orientação sexual e a identidade de gênero podem assumir múltiplas características e comportamentos afetivo-sexuais que diferem dessa normatividade.

As pessoas que apresentam essa autoidentificação dita dissidente compõem a população LGBTQIA+, termo guarda-chuva que engloba, mas não se limita a, pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer, intersexo, assexuais e outras.

A população de lésbicas, gays, bissexuais e outras minorias sexuais (LGB+), objeto deste estudo, é composta de indivíduos que apresentam comportamentos, desejos e/ou identidade emotivo-afetivo-sexuais diferentes dos definidos para os heterossexuais cisgêneros.

Pelo fato de diferir do esperado enquanto padrão estabelecido, essa população encara discriminação, vulnerabilidades e invisibilidade, sofrendo o chamado preconceito contra a diversidade sexual.

Este estudo buscou Analisar a associação entre a orientação sexual autoidentificada e a violência na população brasileira.

Foi um estudo epidemiológico transversal que utilizou base de dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2019. Analisaram-se a violência total e seus subtipos (psicológica, física e sexual) nos 12 meses anteriores.

Estimou-se a prevalência e a odds ratio ajustada por faixa etária, com seus respectivos intervalos de confiança de 95%, segundo orientação sexual autoidentificada da população acima de 18 anos no Brasil.

A população brasileira autoidentificou-se majoritariamente como heterossexual (94,75%), e 1,89% identificou-se como LGB+.

Esse percentual foi inferior ao de entrevistados que se recusaram a responder à pergunta (2,28%). A prevalência da violência na população geral do Brasil foi de 18,27%, sendo o subtipo mais comum a violência psicológica (17,36%).

A população LGB+ apresentou mais que o dobro de chances de sofrer qualquer tipo de violência.

As mulheres LGB+ apresentaram as maiores prevalências de todos os subtipos de violência e os homens heterossexuais, as menores.

Mulheres LGB+ tiveram mais de três vezes mais chances de sofrer violência física, comparadas às mulheres heterossexuais.

Enquanto isso, homens LGB+ mostraram chances quase oito vezes maiores de sofrer violência sexual que os homens heterossexuais.

A violência contra a população LGB+ apresentou alta prevalência no país. São necessárias políticas públicas voltadas a essa população para que se enfrente o preconceito contra a diversidade sexual e seja possível garantir os direitos das pessoas não heterossexuais.

 

Estudo completo: Vasconcelos, N. M. de ., Alves, F. T. A., Andrade, G. N. de ., Pinto, I. V., Soares Filho, A. M., Pereira, C. A., & Malta, D. C.. (2023). Violence Against LGB+ people in Brazil: analysis of the 2019 National Survey of Health. Revista Brasileira De Epidemiologia, 26, e230005. https://doi.org/10.1590/1980-549720230005.supl.1