A depressão é o distúrbio mental mais comum entre os professores, responsável por mais da metade dos afastamentos do trabalho na educação básica. Estudos nacionais mostram que as taxas de sintomas depressivos (SD) entre professores da rede pública variam de 21,6% a 50%, valores significativamente mais elevados do que os registrados em outros grupos.
O objetivo deste estudo foi avaliar inter-relações de fatores associados a sintomas depressivos (SD) em professores, considerando a insatisfação com o trabalho docente como possível mediador.
Foi realizado um estudo transversal que utilizou informações de 700 professores da rede pública de ensino de uma cidade brasileira. Nossa análise teve como foco o SD, mensurado através do Inventário de Depressão de Beck (BDI). O estudo examinou as relações diretas e indiretas entre a insatisfação com o trabalho, a idade, a renda, o estilo de vida e a adiposidade, e o desfecho de interesse. Essas variáveis foram incluídas em um modelo operacional e testadas com modelagem de equações estruturais.
A maior idade e a maior insatisfação com o trabalho associaram-se diretamente aos SD. Já o estilo de vida mais favorável e a adiposidade, associaram-se a menor ocorrência de SD. As variáveis estilo de vida e adiposidade também apresentaram efeitos indiretos negativos nos SD, mediados pela insatisfação com o trabalho. O modelo de equação estrutural testado identificou inter-relações que influenciaram os SD.
Insatisfação no trabalho docente é associada a sintomas de SD A insatisfação no trabalho docente está relacionada a sintomas de SD e atua como mediadora de outros fatores que contribuem para esses sintomas. O aumento da idade, da insatisfação no trabalho, de um estilo de vida menos saudável e da menor adiposidade têm uma relação direta com o aumento dos sintomas de SD. Além disso, a insatisfação no trabalho também pode contribuir indiretamente para o aumento dos sintomas de SD, por meio de um estilo de vida menos saudável e menor adiposidade.