Este artigo de revisão aborda o transtorno bipolar na idade avançada (OABD), definido como pacientes com 50 anos ou mais. O estudo sintetiza literatura até 2021 e pesquisas recentes, trazendo recomendações clínicas específicas para essa população.
Principais resultados
- Complexidade clínica: OABD é um subgrupo mais complexo do transtorno bipolar, com maior risco de déficits cognitivos, demência, comorbidades físicas, prejuízo psicossocial e morte prematura.
- Subtipos diagnósticos: As distinções entre BD-I e BD-II, ou entre início precoce (EOBD) e tardio (LOBD), não se mostraram clinicamente relevantes em idosos.
- Curso clínico: A progressão da doença é variável; alguns pacientes permanecem estáveis, enquanto outros apresentam maior resistência ao tratamento e declínio cognitivo.
- Psicossocial: Idosos com bipolaridade apresentam pior funcionamento social e autonomia. O tratamento deve incluir estratégias para melhorar qualidade de vida e relações interpessoais.
- Cognição: Déficits em memória e funções executivas são comuns, mesmo em estados de eutimia. Há risco aumentado de demência.
- Comorbidades físicas: Elevada prevalência de doenças cardiovasculares, metabólicas e outras condições médicas, que impactam curso e resposta ao tratamento.
- Farmacoterapia: O lítio continua sendo recomendado como monoterapia de manutenção, desde que monitorado cuidadosamente (função renal e níveis séricos). Idade avançada não deve ser motivo para suspender o uso.
- Recomendações gerais: O tratamento deve ser integrativo, considerando aspectos cognitivos, físicos e psicossociais, com foco em qualidade de vida.
Referência bibliográfica
Beunders AJM, Orhan M, Dols A. Older age bipolar disorder. Current Opinion in Psychiatry. 2023;36(5):397-404. doi:10.1097/YCO.0000000000000883.