Insônia

Insônia

 

Muitas pessoas tiveram ou terão uma noite mal dormida ao longo de sua vida1. Isto não provoca sintomas clínicos resultantes de falta de sono1. A insônia, na qual me refiro nesta publicação é a dificuldade crônica de sono que gera prejuízos físicos1. Insônia é o sintoma de privação do sono mais comum na população1. Os sintomas ocorrem em 33 a 50% dos adultos, na classificação para definição de insônia1. De 10 A 15%, a presenta sintomas de insônia como estresse, desconforto geral e prejuízo cognitivo1.

O tempo que a pessoa demorar para dormir chama-se, latência do sono2. Insônia, é a dificuldade em iniciar ou manter o sono, o tempo que permanece dormindo dividido pelo tempo que ficou na cama chama-se, eficiência do sono2. Sendo assim na insônia ocorre um aumento da Latência do sono e diminuição da eficiência do sono, resumindo: dorme pouco e contando tempo que demorou acordado na cama demorando para iniciar o sono e tempo que demora para voltar a dormir quando desperta durante a noite2.

Insônia crônica, causa  mais impacto e qualidade de vida nas pessoas, é definida pelo tempo que o paciente demora rara dormir, frequência dos episódios de insônia e pelo período que o paciente se encontra enfrentando esta dificuldade3. Não é uma doença de somente de natureza psicológica, mesmo se explicando por aspectos comportamentais1. Está ligada ás funções cognitivas-emocionais cerebrais, existindo estudos explicando de maneira clara essas bases biológicas4.

Para se manter acordado a pessoa mantem o sistema nervoso vegetativo ativo1. O córtex frontal inicia esse processo, mantida pela própria substância reticular ativadora ascendente1. O sistema autônomo precisa se manter ativo, assim nós conseguimos pensar ou agir parasse adaptar ao meio externo1.

O diagnóstico da insônia é basicamente clínico, com anamnese específica, esta parte é a que demanda mais tempo durante a consulta e a mais importante1. Devemos saber como nos comportamos ante e durante o período do sono1. Quem sofre de insônia psicofisiológica não conseguem se calmar para dormir, permanecendo ansiosos antes de dormir5. Os pensamentos antes, durante e após deitar e não conseguir dormir devem ser verificados5.  Deve-se verificar o histórico clínico do paciente, como: insuficiência cardíaca, asma, doenças reumatológicas, diabetes, neuropatias periféricas, síndromes dolorosas, tireoidopatias, ou outras condições específicas que podem provocar, contribuir ou fazer com que a insônia permença1.

A histórico do paciente deve ser analisado, a pessoa precisa se sentir segura para dormir bem1. Fatores ambientais, comportamentais ou sociais devem ser observados1,3. Outro aspecto importante deve ser é uso de drogas lícitas ou ilícitas. Doenças psiquiátricas estão associadas a insônia, pacientes com esqueizofrenia podem desencadear surtos após episódios de insônia, no transtorno bipolar, a insônia é um dos sintomas do quadro clínico6.

A eficácia do tratamento do sono é realizado através da terapia cognitivo-comportamental e medicação, dependendo do tipo de insônia e da sua intensidade, este profissional deve ser especialista em medicina do sono e/ou com experiência nessa área5.

 

Vitor Souza Mascarenhas é graduado em Psicologia; Mestrando em Tecnologias em Saúde; Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental; Especialista em Terapia Analítico-Comportamental; Especialista em Neuropsicologia e Reabilitação.

 

REFERÊNCIAS:

  1. Carvalho, L., Prado, L., & Prado, G. Insônia. UNIFESP2 1, 20–30 (2019).
  2. Littner, M. et al. Practice parameters for using polysomnography to evaluate insomnia: an update. Sleep 26, 754–60 (2003).
  3. Varela, M.-J. et al. Insônia: doença crônica e sofrimento. Rev. Neurociências 13, 183–189 (2010).
  4. Levenson, J. C., Kay, D. B. & Buysse, D. J. The pathophysiology of insomnia. Chest 147, 1179–1192 (2015).
  5. Morin, C. M. et al. Cognitive Behavioral Therapy , Singly and Combined With Medication ,. Jama 301, 2005–2015 (2009).
  6. Becker, P. M. & Sattar, M. Treatment of sleep dysfunction and psychiatric disorders. (2009).
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