O Impacto da Terapia Cognitivo-Comportamental no Tratamento dos Transtornos de Ansiedade em Adolescentes

O Impacto da Terapia Cognitivo-Comportamental no Tratamento dos Transtornos de Ansiedade em Adolescentes

 

Vitor Souza Mascarenhas

 

A ansiedade afeta de 15 a 20% das crianças e adolescentes, causando impactos na vida social, familiar e acadêmica1,2. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é um eficaz tratamento psicológico para ansiedade na infância, produzindo redução na intensidade dos sintomas severos de ansiedade3. Mesmo com os resultados comprovados no tratamento da TCC nos transtornos de ansiedade, 20 a 46% apresentam remissão total dos sintomas após o tratamento completo, desses apenas 50% vão continuar sem sentir ansiedade por alguns meses4,5.

 

Pesquisas ainda são necessárias para elucidar os vários fatores que contribuem a resposta da TCC no tratamento ansiedade2. Há evidências de  alguns fatores, como: gravidade, cuidadores/família, estresse familiar e transtorno de ansiedade diagnosticado nos familiares6,7. Uma variável muito importante e pouco estudada é o papel da família e a expectativa para o tratamento1. As expectativas do tratamento tem sido considerado importante fator de influência para a motivação dos pacientes e o seu engajamento na terapia, impactando nos resultados do tratamento8,9. As crenças sobre a eficácia do tratamento e a mudança da expectativa sobre as mudanças dos sintomas com o tratamento, são estas expectativas10–12.

 

As publicações existentes concentram os resultados estabelecendo correlações entre expectativas do tratamento e resultados do tratamento de dor crônica13,14. Publicações em populações  com diagnóstico psiquiátrico são menos frequentes e tem resultados menos consistentes2. Quase todos os estudos sobre expectativas do tratamento na ansiedade foram em adultos1. Os melhores resultados  nas expectativas de tratamento mais positivas estão ligadas as melhores a melhores resultados na fase aguda, maior taxa de sintomas durante terapia para fobias específicas, transtorno de ansiedade social e transtorno de ansiedade generalizada6,15–17. O principal fator associado a mudança nas expectativas do tratamento que afeta o engajamento da terapia e o resultado do tratamento é o papel desempenhado pelo cuidador. Mais pesquisas são necessárias para estabelecer uma relação entre as expectativas do tratamento e os seus resultados.

 

Vitor Souza Mascarenhas é graduado em Psicologia; Mestrando em Tecnologias em Saúde; Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental; Especialista em Terapia Analítico-Comportamental; Especialista em Neuropsicologia e Reabilitação

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REFERÊNCIAS:

  1. Beesdo, K., Knappe, S. & Pine, D. S. Anxiety and Anxiety Disorders in Children and Adolescents: Developmental Issues and Implications for DSM-V. Psychiatr. Clin. North Am. 32, 483–524 (2009).
  2. Wu, M. S. et al. The Impact of Treatment Expectations on Exposure Process and Treatment Outcome in Childhood Anxiety Disorders. (2019).
  3. Beitchman, J. H., Cantwell, D. P., Forness, S. R., Kavale, K. A. & Kauffman, J. M. Practice Parameters for the Assessment and Treatment of Children and Adolescents With Language and Learning Disorders. J. Am. Acad. Child Adolesc. Psychiatry 37, 46S-62S (2003).
  4. Ginsburg, G. S. et al. Remission after acute treatment in children and adolescents with anxiety disorders: Findings from the CAMS. J. Consult. Clin. Psychol. 79, 806–813 (2011).
  5. Piacentini, J. et al. 24- and 36-week outcomes for the child/adolescent anxiety multimodal study (CAMS). J. Am. Acad. Child Adolesc. Psychiatry 53, 297–310 (2014).
  6. Compton, S. N. et al. Predictors and moderators of treatment response in childhood anxiety disorders: Results from the CAMS trial. J. Consult. Clin. Psychol. 82, 212–224 (2014).
  7. Lundkvist-Houndoumadi, I., Hougaard, E. & Thastum, M. Pre-treatment child and family characteristics as predictors of outcome in cognitive behavioural therapy for youth anxiety disorders. Nord. J. Psychiatry 68, 524–535 (2014).
  8. Glass, C. R., Arnkoff, D. B. & Shapiro, S. J. Expectations and preferences. Psychotherapy 38, 455–461 (2001).
  9. Greenberg, R. P., Constantino, M. J. & Bruce, N. Are patient expectations still relevant for psychotherapy process and outcome? Clin. Psychol. Rev. 26, 657–678 (2006).
  10. Lewin, A. B., Peris, T. S., Lindsey Bergman, R., McCracken, J. T. & Piacentini, J. The role of treatment expectancy in youth receiving exposure-based CBT for obsessive compulsive disorder. Behav. Res. Ther. 49, 536–543 (2011).
  11. Wu, M. S. et al. Treatment Concerns and Functional Impairment in Pediatric Anxiety. Child Psychiatry Hum. Dev. 47, 627–635 (2016).
  12. Selles, R. R. et al. The Treatment Worries Questionnaire: Conjoined measures for evaluating worries about psychosocial treatment in youth and their parents. Psychiatry Res. 250, 159–168 (2017).
  13. S., C., G.L., L., M., C. & P., R. Expectations predict chronic pain treatment outcomes. Pain 157, 329–338 (2016).
  14. Tilbury, C. et al. Patients’ pre-operative general and specific outcome expectations predict postoperative pain and function after total knee and total hip arthroplasties. Scand. J. Pain 18, 457–466 (2018).
  15. Price, M. & Anderson, P. L. Outcome expectancy as a predictor of treatment response in cognitive behavioral therapy for public speaking fears within social anxiety disorder. Psychotherapy 49, 173–179 (2012).
  16. Newman, M. G. & Fisher, A. J. Expectancy / Credibility Change as a Mediator of Cognitive Behavioral Therapy for Generalized Anxiety Disorder : Mechanism of Action or Proxy for Symptom Change ? 3, 245–261 (2010).
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