Terapia Cognitiva da Raiva

O Estresse envolve muitos sintomas que o indivíduo apresenta ao ser submetido a situações que exijam adaptação do organismo para enfrentá-las1. De acordo com Lambert e Kinsley (2006)2, o estresse se subdivide em três fases:

  • Alerta (indivíduo entra em contato com sua fonte de estresse e ocorre a perda do equilíbrio);
  • Resistência (indivíduo tenta se recuperar do desequilíbrio sofrido na primeira fase);
  • Exaustão (indivíduo não consegue retomar o equilíbrio, os sintomas agravados, piora dos sintomas físicos em forma de doenças).

Lipp (2003)3apontou uma quarta fase a qual denominou de quase-exaustão, neste momento o indivíduo apresenta desgaste e outros sintomas mas consegue trabalhar e atuar no seu dia a dia, os seus problemas não são graves quanto a exaustão1.

O estresse é um dos maiores fatores de risco para a vida e qualidade de vida1. A pessoa não se sente bem, não consegue desenvolver suas atividades de acordo com seu potencial, perdem a motivação e em alguns casos pode ocorrer o adoecimento1.

Os principais distúrbios associados ao estresse são:

  • Gastrite;
  • Úlcera;
  • Problemas dermatológicos (dermatite, herpes, urticária, psoríase e vitiligo);
  • Variações da pressão arterial;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Dificuldades sexuais;

Lambert e Kingsley (2006)2afirmam que se a resposta ao estresse não pode ser eliminada, o sistema imune é suprimido, ocasionando maior vulnerabilidade de doenças, quando sistema cardiovascular é ameaçado pelo estresse crônico, é esperado a elevação da pressão e frequência cardíaca por longos períodos desgastando o músculo cardíaco.

Muitos fatores acabam por causar reatividade cardiovascular, como a desregulação emocional1. O estresse gerado pela raiva produz reação hormonal que inclui elevados índices de testosterona (nos homens), epinefrina, norepinefrina e cortisol4. A produção crônica desses hormônios aumenta o risco de aterosclerose e deprime o sistema imunológico, com isso o organismo fica mais suscetível á doenças1.

A raiva é muito estudada devido causar sérios problemas no campo social, além de impactar a saúde e qualidade de vida das pessoas1. A raiva no campo social está associada:

  • Relacionamentos conturbados;
  • Violência familiar;
  • Altos índices de divórcio;
  • Perda do emprego;
  • Depressão;
  • Doença coronariana;
  • Úlcera;
  • Morte prematura;
  • Suicídio.

Em 1939, Franz Alexander (apud Mckay et al., 2001)4observou que pessoas hipertensas estão sempre em conflito com o sentimento de raiva e a dificuldade de expressá-la, assim ocorre uma ativação crônica do sistema nervoso simpático causando elevação da pressão arterial.

Estudos como o de (Lambert e Kinsley, 2006 e McKay et al., 2001)2,4  mostram que pessoas que apresentam comportamentos agressivos e hostilidade tem pressão mais alta do que pessoas que apresentam atitude de reflexão ao sentimento de raiva.

Lipp (2005)5constatou que a raiva é um traço marcante na população de hipertensos. Vários pesquisadores apontam nos seus estudos a relação da raiva e a hipertensão, não irei mencionar aqui mas em outro momento adicionarei estes estudos.

A raiva é o estado emocional que abrange sentimentos desde o aborrecimento leve até a fúria e cólera intensas, somando-se por estimulação do sistema nervosos autônomo6. Ocorre quando uma pessoa sente-se ameaçada, injustiçada, acuada ou frustrada, nesse sentido a raiva tem a função de proteção1.

Segundo Lipp (2005)5, a raiva desenvolve-se pelo seguinte processo:

  1. Ocorrência de um evento desencadeador, real ou imaginário.
  2. Interpretação: a pessoa avalia negativamente a situação como ameaçadora.
  3. Estresse: manifestações físicas e psicológicas.
  4. Um comportamento de raiva ocorre.
  5. Reavaliação do que está ocorrendo sob a ótica do forte sentimento de raiva.
  6. Escalonamento da raiva.

A expressão de raiva em homens e mulheres são diferentes5. Homens se manifestam raiva com mais frequência do que mulheres, a justificativa é de que provavelmente a nossa sociedade aprova e incentiva essas manifestações do sentimento de raiva nos homens5.

REFERÊNCIAS:

  1. Lipp, M. E. N., Cabral, A. C. & Grün, T. B. Estudo de caso: treino cognitivo de controle da raiva em paciente com hipertensão leve. Rev. Bras. Ter. Comport. e Cogn.11,231–245 (2018).
  2. Lambert, K. e Kinsley, C. H. Neurociências Clínicas: as bases neurobiológicas da saúde mental. (ARTMED, 2006).
  3. Lipp, M. Mecanismos Neuropsicofisiológicos do Stress: teoria e aplicações clínicas. (2003).
  4. McKay, M.; Rogers, P.D.; McKay, J. Quando a Raiva Dói. (Summus, 2001).
  5. Lipp, M. E. N. Stress e o Turbilhão de Raiva. (Casa do Psicólogo, 2005).
  6. Spielberg, C.; Bagio, A. Manual do STAXI. (Vetor, 1992).
Tags: No tags

Add a Comment

You must be logged in to post a comment