Terapia Cognitivo-Comportamental da Depressão

A depressão ocasiona muitos problemas na vida das pessoas, sendo uma doença psiquiátricas mais prevalentes no mundo(1–3). Comprometendo sua vida em situações sociais, familiares, escolares, de trabalho e outras áreas(4).

A depressão parece estar relacionada com problemas pessoais, genéticos, sociais e de adaptação(1). É muito importante observar o contexto social e interpessoal do indivíduo deprimido(1–3). O terapeuta ao olhar todos estes contexto vi saber lidar melhor com o presente e os episódios futuros(1).

A prevalência de 1 ano de depressão unipolar é de 6% e ao longo da vida é de 16%(1). Os sintomas são observados com maior frequência no fim da adolescência e início da fase adulta, 50% até os 30 anos(1). As mulheres tem uma probabilidade duas vezes maior de desenvolver este transtorno(1).

Em muitos casos, a depressão tem curso crônico e recorrente(4). Estudos apontam que 30% dos clientes ainda estão deprimidos após um ano, 18% após dois anos e 12% após cinco anos, sofrem com risco de recaídas, risco elevado de suicídio e menor repertório psicossocial e mortalidade(4–6). Os clientes que se recuperam com tratamento, mais de 50% recaem(4).

A maioria dos indivíduos, cerca de 70%, se recupera da depressão no prazo de um ano(1,3). Outros sofrem com problemas e se a depressão não for tratada de forma adequada, ela costuma durar de quatro meses a um ano(1). Recaídas e recorrências são comuns, muitos episódios de recaídas ou recorrências são relatados na vida de pessoas que sofrem com depressão(1,3).

A preocupação com clientes deprimidos e que apresentam um curso crônico é o suicídio(4,5). Metanálises mostram que o risco é de 2% para pacientes menos graves e 8% para depressão mais grave com histórico de internações(7). A alta prevalência e incapacitação, colocam a depressão maior como a segunda maior causa de incapacitação em países desenvolvido(5–10).

Modelo Cognitivo da Depressão

Em 1960, Aaron Beck concluiu que a depressão é o resultado de pensamentos enraizados(4). Para Beck, os humor e comportamentos disfuncionais, eram em decorrência de pensamentos e crenças distorcidas(2,3). Pessoas deprimidas acreditam que os problemas são maiores do que a realidade(1–3). Esta nova abordagem da psicologia ficou conhecida como Terapia Cognitiva(TC)(4). Vários ensaios clínicos comprovam a eficácia da terapia cognitiva como maior amparo clínico no tratamento da depressão(11).

O desenvolvimento da Terapia Cognitiva(TC) ou da Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC), comportamental é o termo genérico para o profissional que utiliza técnicas comportamentais aliada á técnicas cognitivas, passaram a ser aplicadas a todos os transtornos psicológicos(12). A TCC no tratamento da depressão mostra resultados tão bons ou superiores quanto o tratamento farmacológico ou outras abordagens da psicologia, mostrando resultados mais duráveis do que o farmacológico e com menos recorrência(13).

Tríade Cognitiva

A TC pressupõe dois princípios básicos: a tríade cognitiva e as distorções cognitiva(1,2,12). A tríade cognitiva corresponde a visão que a pessoa, do mundo e do futuro, no modelo da depressão essas três visões vão estar sempre de maneira negativa e com desesperança(2). Na depressão quando esses pensamentos negativos se relacionam com ideação suicida, o sentimento de desesperança se torna mais intenso e o pensamento de morte se torna um alívio para sua dor(14).

O cliente deprimido pensa sua experiência de maneira negativa e antecipa resultados adversos, assim os eventos e expectativas acabam gerando pensamentos e comportamentos depressivos, assim uma nova interpretação da situação só irá certificar os sentimentos de inadequação, baixa autoestima e desesperança(2).

Distorções Cognitivas

Distorções cognitivas são equívocos lógicos de pensamento, erros sistemáticos de percepção e processamento(2). Clientes com depressão estruturam suas experiências de maneira rígida e inflexível, gerando erros de interpretação do desempenho pessoal e de situações do dia a dia(4).

As distorções derivam de regras e pressupostos adquiridos ao longo de nossa vida(11). Em pessoas deprimidas essa crenças são sensíveis a situações de estresse e levam ao deprimido a utilizar um estratégia ineficaz(2,3).

As principais distorções cognitivas encontradas em clientes depressivos segundo Beck et al.(2), são:

  • Inferência arbitrária;
  • Abstração seletiva;
  • Hipergeneralização;
  • Personalização.

Método de Tratamento da Terapia Cognitiva

A TC parte do pressuposto que a maneira como pensamos influencia como nos sentimos e comportamos(2). Na depressão, a terapia cognitiva trabalha em três fases:

  • Esquemas e pensamentos disfuncionais;
  • Amparo Social;
  • Mudança de comportamento para melhorar suas estratégias.

No processo de tratamento da depressão na TC, o cliente é ativo, onde é ensinado a:

  1. Identificar percepções distorcidas;
  2. Reconhecer pensamentos negativos e buscar repostas alternativas;
  3. Encontrar evidências que apoiem os pensamentos negativos ou alternativos;
  4. Reestruturar cognitivamente os pensamentos.

A TC sofre críticas de outras abordagens de maneira equivocada porque relacionam a TC a teoria do pensamento positivo, na verdade o terapeuta junto com seu cliente buscam pensamentos mais realistas(1–3).

Principais Técnicas no Tratamento da Depressão na Terapia Cognitivo-Comportamental

  • Ativação comportamental;
  • Evocação de pensamentos e pressupostos;
  • Explicação de como pensamentos geram sentimentos;
  • Registro de pensamentos disfuncionais;
  • Seta descendente.
  • Prevenção a recaídas.

REFERÊNCIAS:

  1. Hofman SG. Lidando com a depressão. In: Neufeld C., editor. Introdução á Terapia Cognitivo-Comportamental Contemporânea. Porto Alegre: ARTMED; 2014. p. 121–34.
  2. Beck, Aaron; Rush, John; Shaw, Brian; Emery G. Teoria Cognitiva da Depresão. 1a. Lima L, editor. Porto Alegre; 1997. 305 p.
  3. Beck, aaron; Alford B. Depressão: causas e tratamento. 2nd ed. Meyer E, editor. Porto Alegre: Canto, Mônica; 2011. 344 p.
  4. Powell, Vania Bitencourt, Abreu N, Oliveira IR de, Sudak D. Terapia cognitivo-comportamental da depressão. Rev Bras Psiquiatr. 2008;30(Supl II):73–80.
  5. Rovner B, Casten R. The Epidemiology of Major Depressive Disorder. Evidence-Based Eye Care. 2003;4(4):186–7.
  6. Parton G. Book Review: Treating Depression Effectively: Applying Clinical Guidelines. J Psychopharmacol. 2005;19(5):558–558.
  7. Michael Bostwick J, Shane Pankratz V. Affective Disorders and Suicide Risk: A Reexamination. Am J Psychiatry [Internet]. 2000;157(9):12. Available from: https://ajp.psychiatryonline.org/doi/pdf/10.1176/appi.ajp.157.12.1925
  8. Read JR, Sharpe L, Modini M, Dear BF. Multimorbidity and depression: A systematic review and meta-analysis. J Affect Disord [Internet]. 2017;221:36–46. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.jad.2017.06.009
  9. Antonuccio DO, Danton WG, DeNelsky GY. Psychotherapy Versus Medication for Depression: Challenging the Conventional Wisdom With Data. Prof Psychol Res Pract. 1995;26(6):574–85.
  10. Segal Z V. Prevention of recurrent depression with mindfulness-based cognitive therapy. 2002;55:21–3. Available from: 533222009-006.pdf
  11. Butler AC, Chapman JE, Forman EM, Beck AT. The empirical status of cognitive-behavioral therapy: A review of meta-analyses. Clin Psychol Rev. 2006;26(1):17–31.
  12. Knapp P e C. Terapia Cognitivo-Comportamentalna Prática Psiquiátrica. 1st ed. Knapp P, editor. Porto alegre: ARTMED; 2004. 71-87 p.
  13. Dobson KS. A meta-analysis of the efficacy of cognitive therapy for depression. J Consult Clin Psychol. 2005;57(3):414–9.
  14. HOROWITZ MJ. Cognitive Therapy and the Emotional Disorders. Am J Psychiatry [Internet]. 2014;136(12):1624-a-1625. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/S0033-3182(77)71107-7
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