Autoavaliação de saúde (AAS) sintetiza a percepção do indivíduo sobre a sua própria saúde. É um indicador validado e amplamente utilizado em inquéritos epidemiológicos, porque fornece informações valiosas não capturadas por medidas objetivas.
A categoria dos professores da Educação Básica brasileira é numerosa e bastante heterogênea no que se refere às condições de trabalho, quando se consideram o tipo de escola, o nível do ensino e o perfil dos alunos distribuídos no território brasileiro.
O objetivo deste artigo é analisar a associação entre a autoavaliação de saúde dos professores e as condições que eles encontram para trabalhar nas escolas da Educação Básica no Brasil.
Estudo transversal, realizado entre 2015 e 2016, representativo dos professores da Educação Básica do País, cuja variável desfecho foi a autoavaliação de saúde (AAS).
As variáveis explicativas foram as características relacionadas ao trabalho. Para avaliar os fatores associados à AAS foi utilizado o Modelo de Regressão Logística de Chances Proporcionais.
A prevalência de AAS ruim foi de 27%. A probabilidade de pior AAS foi significativamente maior para o grupo que informou episódios de violência verbal (OR=1,26; IC95% 1,09-1,44), pressão laboral (OR=1,18; IC95% 1,04-1,33), e deslocamento para escola superior a 50 minutos (OR=1,19; IC95% 1,03-1,38).
A probabilidade de pior AAS foi significativamente menor para aqueles que relataram dispor de tempo suficiente para cumprir suas tarefas (OR=0,77; IC95% 0,64-0,92), apoio social (OR=0,79; IC95% 0,69-0,89) e satisfação com o próprio trabalho (OR=0,79; IC95% 0,69-0,91).
Ações sobre o ambiente e a organização escolar e melhorias no transporte dos professores para o trabalho são desejáveis.
Referências bibliográficas: Morais, É. A. H. de ., Abreu, M. N. S., & Assunção, A. Á.. (2023). Autoavaliação de saúde e fatores relacionados ao trabalho dos professores da educação básica no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 28(1), 209–222. https://doi.org/10.1590/1413-81232023281.07022022