De acordo com a North American Menopause Society (NAMS), a menopausa natural é definida como o período menstrual final, diagnosticado após 12 meses consecutivos de amenorreia espontânea sem uma causa patológica aparente.
Os sintomas mais comuns associados à menopausa são afrontamentos, suores noturnos, distúrbios do sono, atrofia vaginal e dispareunia.
Estudos indicam que mulheres na pós-menopausa com atrofia vulvovaginal (AVV) têm maior probabilidade de desenvolver disfunção sexual, incluindo dificuldades em relação ao desejo sexual, excitação, lubrificação e orgasmo.
A atrofia vulvovaginal leva ao afinamento do muco e dos tecidos da vulva e da vagina causado pela privação de estrogênio que ocorre nas mulheres durante esse período.
Pacientes com AVV queixam-se de irritação e corrimento vaginal, coceira, secura, disúria e dispareunia.
Apesar da diminuição dos índices de função sexual durante a transição da menopausa, não está claro se isso é causado por níveis mais baixos de hormônios ovarianos, envelhecimento ou ambos.
De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (APA), a disfunção sexual é definida como transtornos do desejo sexual e alterações psicofisiológicas que caracterizam o ciclo de resposta sexual, causando sofrimento acentuado e dificuldade interpessoal.
A disfunção sexual feminina (FSD) pode ser avaliada em diferentes domínios, incluindo interesse sexual, excitação, orgasmo e dor, e não é fácil de definir ou investigar, pois depende de diversos fatores, como saúde e bem-estar, hábitos culturais, status socioeconômico, problemas de relacionamento e existência ou não do parceiro sexual.
O objetivo deste estudo foi Avaliar a eficácia das abordagens hormonais e não hormonais para os sintomas de disfunção sexual e atrofia vaginal em mulheres na pós-menopausa.
Foram pesquisadas as bases de dados PubMed, Embase, Scopus, Web of Science, SciELO, Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), e Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), assim como bancos de dados de ensaios clínicos.
Foram analisados estudos publicados entre 1996 e 30 de maio de 2020.
Nenhuma restrição de idioma foi aplicada.
Foram selecionados ensaios clínicos randomizados que avaliavam o tratamento das disfunções sexuais em mulheres na pós-menopausa.
Ao todo, 55 estudos foram incluídos na revisão sistemática. As abordagens testadas para tratar a disfunção sexual foram:
- lubrificantes e hidratantes (18 estudos);
- fitoestrogênios (14 estudos);
- deidroepiandrosterona (DHEA; 8 estudos);
- ospemifeno (5 estudos); testosterona vaginal (4 estudos);
- exercícios para os músculos do assoalho pélvico (2 estudos);
- oxitocina (2 estudos);
- laser de CO2 vaginal (2 estudos);
- lidocaína (1 estudo),
- vitamina E vaginal (1 estudo).
Identificou-se falta de coerência na literatura quanto aos tratamentos propostos e medidas de resultados selecionadas.
Apesar da grande diversidade de modalidades de tratamento e medidas de resultados, esta revisão sistemática pode lançar luz sobre alvos potenciais para o tratamento, que é considerado necessário para a disfunção sexual, assumindo que a maioria dos estudos randomizados foi avaliada com baixo risco de viés de acordo com a ferramenta de avaliação de risco de viés de Cochrane Collaboration.
Segue estudo completo:
Sarmento, A. C. A., Costa, A. P. F., Lírio, J., Eleutério Jr, J., Baptista, P. V., & Gonçalves, A. K.. (2022). Efficacy of Hormonal and Nonhormonal Approaches to Vaginal Atrophy and Sexual Dysfunctions in Postmenopausal Women: A Systematic Review. Revista Brasileira De Ginecologia E Obstetrícia, 44(10), 986–994. https://doi.org/10.1055/s-0042-1756148