Fatores associados à má qualidade do sono em idosos brasileiros

O estudo que descrevo hoje teve como objetivo identificar a prevalência e os fatores associados à má qualidade do sono em brasileiros com 50 anos ou mais, utilizando dados do ELSI‑Brasil. Trata-se de uma investigação transversal, baseada em uma amostra nacional representativa composta por 9.849 participantes avaliados entre 2019 e 2021. A variável de desfecho foi a qualidade do sono autorreferida, dicotomizada em “boa” ou “ruim”. As variáveis independentes incluíram indicadores sociodemográficos, comportamentais e condições de saúde, como doenças crônicas, autoavaliação de saúde, consumo de álcool e percepção de memória. Para análise, os autores utilizaram regressão de Poisson com variância robusta, estimando razões de prevalência e intervalos de confiança de 95%.

Os resultados mostraram que 15,6% dos adultos mais velhos relataram má qualidade do sono. A prevalência foi maior entre mulheres, pessoas com pior autoavaliação de saúde, indivíduos com duas ou mais doenças crônicas, aqueles que percebiam a memória como ruim, e participantes com consumo elevado de álcool. Por outro lado, homens, pessoas que avaliavam sua saúde como boa e residentes da região Sul apresentaram menor prevalência de sono ruim. O número de condições crônicas foi um dos fatores mais fortemente associados ao desfecho, com aumento progressivo da prevalência conforme o acúmulo de doenças.

Os autores concluíram que a má qualidade do sono em adultos mais velhos no Brasil está associada a múltiplos fatores, incluindo sexo feminino, percepção negativa da saúde e da memória, presença de múltiplas doenças crônicas e consumo excessivo de álcool. Os achados reforçam a importância de considerar aspectos sociodemográficos, comportamentais e clínicos na avaliação do sono em populações envelhecidas, destacando a necessidade de políticas e intervenções voltadas à promoção da saúde do sono.

Referência bibliográfica

Pereira RR, Sampaio MR, Pessoa BP. Fatores associados à má qualidade do sono em brasileiros mais velhos: uma análise transversal do ELSI‑Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 30(8):1‑10, 2025.