Relação entre rede de suporte social e cognição em pessoas idosas

Com o envelhecimento populacional acelerado, estimativas da ONU indicam que a população com mais de 65 anos deve dobrar até 2050, torna-se urgente repensar estratégias para garantir qualidade de vida na velhice. A OMS destaca a necessidade de ações proativas para enfrentar os desafios de saúde decorrentes dessa transição demográfica.

Nesse contexto, a rede de suporte social (formada por vínculos familiares, amizades e comunidade) exerce papel fundamental na preservação da saúde cognitiva dos idosos. Estudos mostram que o envelhecimento afeta funções como atenção, memória, linguagem e percepção, influenciado por fatores internos (biológicos e neurofisiológicos) e externos (educação, saúde, crenças e relações sociais).

A presença de uma rede social ativa está associada a melhor desempenho cognitivo, enquanto a solidão é considerada fator de risco para o declínio mental. Pesquisas neurobiológicas indicam que relações sociais positivas podem modular a atividade cerebral em áreas ligadas à memória e ao processamento de informações.

Diante disso, o estudo busca verificar a associação entre rede de suporte social e cognição em idosos saudáveis, sem demência, residentes em São Paulo, com base em dados coletados em 2022.

Um estudo que foi publicado no Jornal Brasileiro de Psiquiatria teve por objetivo: investigar a associação entre a rede de suporte social e o desempenho cognitivo em idosos saudáveis residentes em São Paulo.

Este estudo teve uma amostra de:

  • 207 idosos entrevistados (média de idade: 67,5 anos; 73% mulheres).
  • Participantes de Centros de Convivência e Associações de Aposentados.
  • Critérios: ensino fundamental completo, sem demência ou depressão.

Instrumentos utilizados:

  • ACE-R: avalia atenção, memória, fluência verbal, linguagem e habilidades visuoespaciais.
  • MMRI: mapeia a rede de suporte social (visitas, companhia, ajuda doméstica, cuidados pessoais e apoio financeiro).

Resultados

  • Idosos com redes sociais mais robustas (≥24 registros no MMRI) apresentaram:
    • Maior pontuação total no ACE-R (p = 0,003).
    • Melhor desempenho em atenção e orientação (p = 0,041).
    • Maior fluência verbal (p = 0,022).
  • Anos de estudo também foram preditores significativos de uma rede social sólida.
  • A regressão logística confirmou que atenção, escolaridade e pontuação total no ACE-R são variáveis associadas a redes sociais mais amplas.

Conclusão

A rede de suporte social está positivamente associada à cognição em idosos. Intervenções que promovem vínculos sociais podem contribuir para a manutenção da saúde cognitiva e o envelhecimento saudável.

Referência bibliográfica:

DOS SANTOS, Gabriela et al. Relação entre rede de suporte social e cognição em pessoas idosas. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 73, n. 3, p. e20240016, 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/0047-2085-2024-0016