Introdução
A depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e também um dos principais contribuintes para a carga global global de doenças.
A Organização Mundial da Saúde prevê que, até 2020, a depressão se tornará a segunda principal causa de doença em todo o mundo. A menos que tratada adequadamente, a depressão pode causar problemas significativos na vida de uma pessoa.
Além disso, a depressão está associada à ideação suicida.
Uma revisão mostrou que a resiliência pode prevenir sintomas depressivos, ou pelo menos reduzir seu impacto.
Assim, a resiliência é um desfecho importante a ser avaliado em indivíduos com depressão.
A resiliência é um construto multidimensional complexo e poucos estudos avaliaram os fatores envolvidos nesse fenômeno.
Sabe-se que eventos estressantes da vida estão associados ao transtorno de estresse pós-traumático, depressão e outros transtornos psiquiátricos.
No entanto, os indivíduos podem ser expostos a eventos estressantes da vida e não desenvolver transtornos psiquiátricos, um mecanismo conhecido como resiliência.
Assim, resiliência é a capacidade de se adaptar com sucesso diante do estresse e da adversidade, mantendo o funcionamento psicológico e físico normal.
Objetivo
O objetivo deste estudo foi verificar os efeitos da resiliência na severidade dos sintomas depressivos e ansiosos após psicoterapia cognitiva breve para depressão.
Metodologia
Trata-se de um estudo de intervenção clínica aninhado a um ensaio clínico com dois diferentes modelos de terapia cognitiva.
A Resilience Scale foi aplicada no baseline, enquanto que a Hamilton Anxiety Rating Scale e a Hamilton Depression Rating Scale foram utilizadas no baseline, após a intervenção e no acompanhamento de seis meses.
Revisão sistemática de estudos publicados entre 2015 e 2020, utilizando as bases de dados eletrônicas PubMed, Scielo, MEDLINE, LILACS, ADOLEC e Science Direct.
A avaliação da qualidade de cada estudo foi realizada com o auxílio da escala STROBE.
Resultados
Sessenta e um pacientes foram avaliados no baseline, no pós-intervenção e no acompanhamento de seis meses.
Os escores de resiliência foram significativamente diferentes entre as avaliações de baseline e pós-intervenção (p<0,001), bem como no baseline vs. acompanhamento de seis meses (p<0,001).
Observamos uma correlação negativa fraca entre os escores de resiliência no baseline e os escores de sintomas depressivos no pós-intervenção (r=-0,295; p=0,015) e em seis meses de acompanhamento (r=-0,354; p=0,005).
Além disso, observamos uma correlação negativa fraca entre os escores de resiliência e sintomas ansiosos no pós-intervenção (r=-0,292; p=0,016).
Conclusão
Indivíduos com maiores escores de resiliência na avaliação pré-tratamento apresentaram uma menor severidade de sintomas no pós-intervenção e no acompanhamento de seis meses.
Referência bibliográfica: Konradt CE, Cardoso TA, Mondin TC, Souza LDM, Kapczinski F, da Silva RA, Jansen K. Impact of resilience on the improvement of depressive symptoms after cognitive therapies for depression in a sample of young adults. Trends Psychiatry Psychother. 2018 Jul-Sep;40(3):226-231. doi: 10.1590/2237-6089-2017-0047. PMID: 30304118.