Revisão sistemática da eficácia clínica de intervenções para depressão tardia resistente ao tratamento

A depressão tardia da vida resistente ao tratamento (TRLLD) é uma condição que afeta quase metade dos idosos diagnosticados com depressão maior e representa um desafio clínico significativo, já que os sintomas persistem mesmo após múltiplas tentativas terapêuticas. Esta revisão sistemática teve como objetivo avaliar a eficácia clínica de diferentes intervenções, tanto farmacológicas quanto não farmacológicas, para o manejo da TRLLD.

Foi realizada uma busca abrangente em bases de dados como MEDLINE, EMBASE, CINAHL, PsycINFO, Cochrane Library e registros de ensaios clínicos online até março de 2024, incluindo apenas ensaios clínicos randomizados que investigaram tratamentos aplicados a idosos com TRLLD.

Os resultados mostraram que sete estudos avaliaram intervenções farmacológicas, como aripiprazol, venlafaxina, cetamina e lítio. O aumento de aripiprazol, analisado em dois estudos, esteve associado à redução significativa dos sintomas depressivos, com perfil de efeitos colaterais aceitável. Venlafaxina, cetamina e lítio também apresentaram melhora clínica em comparação aos grupos controle. Outros sete estudos examinaram intervenções não farmacológicas, incluindo psicoterapia, terapia eletroconvulsiva, estimulação magnética transcraniana repetitiva (rTMS), estimulação bilateral sequencial de explosões de theta e remediação cognitiva computadorizada. Entre essas abordagens, a rTMS, a estimulação bilateral sequencial e a remediação cognitiva mostraram benefícios relevantes na redução dos sintomas depressivos.

Apesar dos resultados promissores, a qualidade das evidências variou de muito baixa a média, e a maioria dos estudos contou com amostras pequenas, o que limita a generalização dos achados. Conclui-se que o aumento de aripiprazol apresenta evidências mais consistentes como opção eficaz para TRLLD, enquanto outras intervenções podem ser promissoras, mas ainda carecem de estudos robustos. Há uma necessidade urgente de ensaios clínicos randomizados de maior escala para confirmar a eficácia e segurança dessas abordagens, permitindo recomendações clínicas mais sólidas para o tratamento da depressão resistente em idosos.

Fonte: Pozuelo Moyano B, Gomez Bautista D, Porras Ibarra KJ, Mueller C, von Gunten A, Vandel P, Ranjbar S, Howard R, Young AH, Stewart R, Reeves S, Orgeta V; European Task Force for treatment resistant depression in older people. Systematic review of clinical effectiveness of interventions for treatment resistant late-life depression. Ageing Res Rev. 2025 May;107:102710. doi: 10.1016/j.arr.2025.102710. Epub 2025 Feb 28. PMID: 40024346.